Sunday, November 12, 2006

As crianças de hoje

Qualquer ser humano adquire os seus valores na sociedade em que reside, e é principalmente em criança que os apreende. Devido a isto, as crianças são os indivíduos que mais sofrem com as boas ou más alterações dos valores da sua sociedade.
Uma viagem que fiz a Marrocos, fez-me perceber que existe uma diferença enorme nas pessoas de lá e as de cá. Fiquei a entender o quão a nossa sociedade é materialista. Numa sociedade dita “moderna”, as crianças só querem é brinquedos, playstations, e mais um monte de porcarias, que só as abstrai do que realmente é importante. Uma criança da minha sociedade está habituada a ter tudo o que quer e precisa, sem nenhum esforço e sacrifício, e como tal, não dá o devido valor ás coisas, ou a quem lhas deu.
Uma coisa que me espantou em Marrocos foi a simplicidade daquela gente, principalmente das crianças. Era muito costume, naquelas pequenas aldeias no meio do nada, as crianças virem correr ao lado do jipe a cumprimentarem-nos e a pedir algo, que para eles era de muito valioso como um lápis de cor, uma caneta, uma T-shirt, ou um relógio para os que tinham mais lata. Como para os meus pais já não era a primeira vez que iam a Marrocos, viemos munidos com algumas canetas e lápis de cor, alguns já partidos e tudo. E ao ver a cara de felicidade deles quando lhes dava um lápis partido para a mão, percebi que éramos de mundos muito, mas muito diferentes. Se os meus pais me dessem uma caixa de lápis de cor nos anos ou no Natal, sinceramente não ficaria muito feliz, quanto mais se me dessem um lápis usado e partido!
Não é só a nível material que somos diferentes, aquela belíssima gente de Marrocos profundo é muito mais unida. Aquelas pequenas almas andam sempre juntas, brincam juntas, riem juntas, sofrem juntas. E as crianças bem vestidas e limpinhas da nossa sociedade? andam juntas na escola, porque assim tem que ser, e depois das aulas vão para casa e fecham-se no quarto a jogar computador até à hora do jantar, e ali passam, mais um dia, numa fútil brincadeira que as afasta da verdadeira essência de ser criança.
È verdade que as pessoas das aldeias inóspitas de Marrocos, não são detentoras nem de grandes nem de pequenas posses, basicamente não têm nada, mas têm-se a si e aos outros. São pessoas que procuram viver a vida da maneira mais simples e pura que se possa imaginar. Digo isto a pensar naquelas famílias, com quatro ou cinco filhos, onde todos trabalham, todos sofrem, mas principalmente onde todos se amam, acima que qualquer coisa.
A estas pessoas, associo os meus pais, tios e avós, que tiveram uma educação muito mais semelhante à de estas pessoas, do que as crianças de hoje. Foram educados a dar o devido valor que as coisas merecem. Pois quando os meus pais ou avós queriam alguma coisa para brincar, tinham de a fazer ou inventavam brincadeiras para assim passarem o dia entretidos, e isto quando não tinha que ajudar nas coisas da casa.
Entristece-me o facto de que os meus filhos, muito dificilmente terão uma educação como a dos meus pais e mesmo a minha.

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